Dicas de Saúde


SENTIMENTO DA FAMÍLIA NA INSTITUCIONALIZAÇÃO DE SEU FAMILIAR

Ao longo dos últimos anos, a população brasileira vem passando por uma mudança caracterizada pelo aumento da população idosa. Segundo dados do IBGE no ano de 2000 enquanto as crianças de 0 a 14 anos correspondiam a 30% da população total, os cidadãos com 65 anos ou mais representava apenas 5%. A previsão é que em 2050 estes grupos detenham o mesmo percentual da população total, qual seja 18%.

Sabemos que a longevidade pode trazer transformações negativas de ordem: física, emocional e cognitiva, que levam muitas vezes a dependência parcial ou total deste indivíduo.

Entender as necessidades desta população nos faz aptos para atende-la visando o seu bem estar biopsicossocial.

Os núcleos familiares vêm se modificando. O número de filhos diminuiu, as mulheres estão inseridas no mercado de trabalho e as longas jornadas laborativas atualmente impedem os cuidadores de zelarem por seus familiares da forma que gostariam ou poderiam, sendo os motivos diversos, tais como a falta de estrutura da casa e o desconhecimento para lidar com patologias típicas do envelhecimento, optando, portanto, pela inserção dos idosos em uma instituição de longa permanência.

Os idosos são inseridos em instituições de longa permanência por muitos motivos e na maioria das vezes são seus filhos que determinam esta condição.

Estas famílias passam por um momento de stress emocional quando tem que tomar esta decisão. Existe uma mescla de culpa, insegurança, remorso e por que não dizer medo também.

Dentro da experiência com estes familiares percebe-se que dentre os muitos sentimentos presentes no momento de tomar esta decisão à culpa é a mais comum, pois acham que estão abandonando aquele que toda vida cuidou deles.

Este sentimento se abranda quando a família se sente segura e acolhida diante a instituição que escolheu.

Algo que deve ser prioritário é a verificação da estrutura e da equipe onde o idoso irá residir.

Segundo Ricardo Spilborghs, clínico médico e geriatra da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia Medicina, há casos em que é preferível internar o idoso em uma instituição adequada com corpo médico a mantê-lo com a família sem a devida atenção e cuidados. Ele destaca que o tema é delicado e exige muita seriedade.

O mais importante é o carinho. Os idosos são muito vulneráveis. Sabem que sua hora está chegando, não têm perspectivas. Não é saudável deixar o idoso em casa sem oferecer atividades, sem conversar com ele. Nesse caso, a internação pode ser melhor, e aí a escolha é fundamental de um lugar bom, o que também exigirá a atenção constante da família - avalia Spilborghs.

A professora de psicologia Ana Cristina Conasa Gonçalves, da Universidade Aberta da Terceira Idade da Pontifícia Universidade Católica (PUC), destaca que, atualmente, há ótimas opções repletas de atividades, mas o tema ainda carrega muito preconceito. Ela destaca que o mais importante é que a família não abandone e não deixe de dar afeto ao idoso.

Cuidar do idoso é responsabilidade da família, o que não significa que o ato de cuidar seja permanecer durante 24 horas com esse idoso. A família deve refletir sobre o que é o cuidar. Nem todo mundo tem características, paciência para se dedicar ao outro. Então, a internação ou contratação de um cuidador são as melhores opções. Não adianta cuidar do idoso como se ele fosse um peso, com raiva - afirma Cristina.

A família tem que compreender que se todos os quesitos da instituição estão de acordo com suas expectativas e se o paciente está sendo bem tratado consequentemente ele estará feliz e afinal de contas ele só se mudou para outra casa, mas o relacionamento continuará o mesmo com visitas regulares e participação efetiva da família no seu dia a dia.

Referências:

IBGE

Site: www.globo.com (coluna saúde).

Flavia de Magalhães Barbosa Leite Ribeiro

Neuropsicóloga

CRP: 20831/04


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