Dicas de Saúde


 A atuação fonoaudiológica junto ao paciente idoso compreende vários aspectos: transtornos de fala, audição, voz, alterações da memória e do processo da alimentação. As alterações do processo da alimentação merecem atenção especial, uma vez que estão diretamente relacionadas com a nutrição e a qualidade de vida de idosos.
 
           A disfagia caracteriza-se por um distúrbio da deglutição ou qualquer dificuldade do trânsito do bolo alimentar da boca até o estômago, podendo estar associada a complicações, tais como: desnutrição, desidratação, pneumonia aspirativa, penetração de saliva ou restos alimentares no vestíbulo laríngeo antes, durante ou após a deglutição.

          O ato de alimentação não se limita apenas a satisfazer necessidades de sobrevivência, mas constitui também fonte de prazer, caracterizando-se, muitas vezes, como um ato social e facilitador da interação entre pessoas. Sendo assim, o fonoaudiólogo visa à habilitação e reabilitação de pacientes que estão impossibilitados de se alimentar, a fim de melhorar sua qualidade de vida. Reabilitar significa, acima de tudo, fornecer condições funcionais neste caso, de alimentação.

DEGLUTIÇÃO E ENVELHECIMENTO

           Denominam-se senescências as alterações estruturais encontradas no processo normal de envelhecimento que, embora variem de um indivíduo para outro, ocorrem em todos os idosos. Manifestam-se por perda de grupos musculares, diminuição da capacidade funcional, lentidão psicomotora e declínio da memória recente. As alterações ocorridas na vida do indivíduo podem afetar os órgãos fonoarticulatórios e a modificação da deglutição pode ocorrer por diversas causas, desde o simples envelhecimento das estruturas envolvidas no ato, até como conseqüência de inúmeras doenças.

           A população de idosos apresenta alto risco para disfagia, em conseqüência dos efeitos do processo de envelhecimento no mecanismo da deglutição. Apesar de estes efeitos isoladamente não causarem a disfagia, tornam o mecanismo da deglutição mais vulnerável a distúrbios causados por pequenas alterações de saúde, como infecções de vias aéreas superiores. Estudos utilizando videofluroscopia da deglutição comprovam que, com o avançar da idade, as alterações nas fases oral e faríngea da deglutição são mais freqüentes, uma vez que as doenças que podem gerar um quadro disfágico são mais prevalentes no idoso.

             Percebe-se que o envelhecimento é um processo complexo e gradual, que revela modificações funcionais no trato gastrintestinal, incluindo perda de apetite, alterações na mastigação e na mobilidade digestiva e afetando diretamente o estado nutricional .Esse processo também inclui inúmeras conseqüências no que se refere à motricidade orofacial, propriocepção, coordenação e força muscular.

           Com o avanço da idade, a capacidade funcional da musculatura e dos ligamentos é afetada por mudanças fisiológicas. A perda dos dentes causa problemas de mastigação; a atrofia dos alvéolos dentários causa dificuldade na adaptação de próteses; a atrofia dos músculos da língua resulta na ingestão de bolos alimentares de menor volume. Por isso, idosos preferem alimentos mais cozidos e mais moles. A diminuição do tônus muscular leva a uma diminuição na efetividade do esvaziamento faríngeo; a dilatação faríngea predispõe ao desenvolvimento de divertículo; a flacidez dos ligamentos diminui a amplitude de elevação e abaixamento da laringe e a abertura do esfíncter esofágico superior. Assim, idosos assintomáticos podem aspirar pequenas partículas de alimento durante a seqüência rápida da deglutição. As modificações na cavidade oral trazem mudanças no hábito alimentar e podem comprometer a fase oral da deglutição e quanto mais precocemente forem identificados os sintomas, maior será a chance de reverter ás complicações clínicas.

Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia Rio de Janeiro 2009.
Elaboração: Fonoaudióloga Roberta Vieira.
22/03/2010.
 


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