Dicas de Saúde


 

O Efeito da Musicoterapia em Pacientes com Demência

Tocar, ouvir ou criar música envolve quase todos os processos cognitivos do cérebro como por exemplo, atenção, planejamento, velocidade de processamento do raciocínio, integração sensório-motora, armazenamento e evocação da memória (Zatore, 2005).

Estudos científicos demonstram os benefícios da musicoterapia na melhoria de habilidades sócio-cognitivas e de transtornos de comportamento em pacientes com Doença de Alzheimer (DA). Estudo realizado na Universidade de Yale, nos EUA, examinou o efeito da música nos comportamentos positivos e negativos de pacientes com DA em estágio moderado e avançado da doença. Os resultados mostraram uma melhoria significativa nos comportamentos sociais positivos e uma redução significativa em comportamentos negativos relacionados aos períodos de agitação nos pacientes que participaram da atividade musical (Naomi, 2007).

 

Clair e Ebberts, em 1997, avaliaram pacientes com demências que foram submetidos a sessões de musicoterapia envolvendo canto, movimento e  jogo rítmico. O tratamento auxiliou na melhoria da interação social dos pacientes com os familiares e cuidadores.

A musicoterapia neurológica utiliza-se das funções musicais como uma modalidade terapêutica dentro do paradigma de neurociência, cujo foco está direcionado nos dados de pesquisas sobre o cérebro em estudos clínicos. A musicoterapia na reabilitação cognitiva utiliza-se principalmente das técnicas de estimulação sensorial, orientação da realidade, reabilitação da atenção, da memória e da percepção. O ritmo e a melodia são estruturas importantes na organização, sequenciamento e recordação de informações verbais (Thaut, 2008).

Em conclusão, o universo das pesquisas sobre a relação música e cérebro tem-se ampliado dentro do campo das neurociências.  Isto tem favorecido uma melhor compreensão do funcionamento cerebral mediante estímulos sonoro-musicais, além de oferecer fundamentação teórica à musicoterapia no âmbito da prática clínica para uma atuação mais segura, consciente e consistente.

 

Referências bibliográficas:

Clair, A. A., & Ebberts, G,. The effects of music therapy on interaction between family caregivers and their care receivers with late stage dementia. Journal of Music Therapy, 34, 148-l64. 1997.

Naomi Z et al. The Effect of Background Stimulative Music on Behavior in Alzheimer's Patients. Journal of Music Therapy, 44, 329-43, 2007.

Thaut, M. (2008). Rhythm, Music and the Brain. New York: T&F.

Zatorre, R.Music, the food of neuroscience? Nature Publishing Group.2005

 

Shirlene Vianna Moreira

Psicóloga e musicoterapeuta com formação em Musicoterapia Neurológica pela Academy of Neurologic Music Therapy do Center for Biomedical Research in Music – Colorado State University/USA.


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